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Flesh (2025) David Szalay

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Terminei " Flesh"  com uma sensação estranha: a de ter sido arrastado por um livro que sabe perfeitamente como me manter a virar páginas, e, ao mesmo tempo, a de ter assistido a um exercício de escrita que se recusa a fazer aquilo que eu peço à literatura quando ela decide aproximar-se do humano. Szalay tem uma competência objetiva: criar movimento narrativo . Há sempre qualquer coisa a acontecer; há sempre um pequeno desvio, uma ameaça, um próximo passo. E isso fabrica expectativa. A expectativa dá energia. E a energia dá “page-turning”. O problema é quando, no fim, percebemos que o livro estava a viver do crédito dessa expectativa, e não da consequência real do que acontece. O que me irritou, no fundo, foi isto: Flesh reúne material com potencial explosivo — trauma, classe, migração, masculinidade, guerra, sexo, dinheiro, violência — mas não o converte em interioridade, nem transformação. O romance acumula “matéria” e recusa o processo alquímico que faria dessa matéria alg...