Tudo o Que Um Homem É (2016) David Szalay
"Tudo o Que Um Homem É", de David Szalay, chegou-me como promessa de “retrato do homem contemporâneo”. Não tendo já muitas expectativas sobre esse tal “homem moderno”, olhei para o livro com desconfiança. Comecei a ler e, em poucas páginas, bateu-me uma sensação paradoxal: por um lado, o texto é competente, direto, sem floreados desnecessários; por outro, o que domina é sexo – corpos, encontros, impulsos mal resolvidos. A minha primeira reação foi irritação. Senti algo que conheço demasiado bem, não enquanto experiência pessoal, mas enquanto retórica: o jovem perdido, o homem deslocado, o sexo como escape e como prova de qualquer coisa que ele próprio não sabe o que é. No início, a minha vontade foi abandonar. Percebia a perícia técnica, mas não via o que é que me acrescentaria seguir mais um homem imaturo a tropeçar em corpos e situações sexualmente carregadas. O sexo, aqui, aparece com a previsibilidade de um mecanismo de relógio: há sempre um encontro em potência, um cor...