A Colónia (2023) Annika Norlin
Acabei A Colónia , de Annika Norlin, no domingo passado, e fiquei com aquela sensação rara de ter encontrado um livro que acrescenta algo a uma fórmula já gasta. Não me interessa muito quando um romance se limita a confirmar o que já sabemos, ainda que o faça com competência. Confesso, aliás, um preconceito inicial, daqueles bacocos — sabendo que Annika Norlin vinha da música, pensei que talvez não houvesse ali espessura suficiente para sustentar um romance deste tipo. Foi um erro. E dos bons, porque corrigido pela leitura. A Colónia não impressiona por exibir profundidade filosófica, mas por a traduzir em densidade psicológica. Não se arma em tratado sobre o humano, não se encena como grande tese sobre comunidade ou pertença. Faz algo mais difícil: observa, com uma precisão capaz de nos colocar lá dentro e de revelar algo que talvez ainda não víssemos em nós mesmos. À superfície, o romance pode ser lido como uma história de afastamento do mundo, de vida em comunidade, de procura de o...