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A mostrar mensagens de setembro, 2026

Fugitive parce que reine (2018)

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Acabei a leitura de " Fugitive parce que reine"  (2018), de Violaine Huisman, um pouco em choque. A primeira parte tinha-me atravessado completamente. Havia ali uma violência íntima, uma capacidade rara de abrir a família por dentro e mostrar aquilo que normalmente fica escondido atrás das fotografias, dos nomes respeitáveis, das casas e da cultura. Catherine surgia como uma presença forte, excessiva, por vezes cruel, mas também doente e humana. E Violaine Huisman parecia suficientemente consciente daquilo que estava a fazer para não transformar mero sofrimento em grandeza. Na segunda parte comecei a afastar-me. Entramos num mundo parisiense de intelectuais, artistas, homens e mulheres para quem o dinheiro parece existir sobretudo para ser gasto, para quem poupar é uma forma de mediocridade, jantar em casa quase uma derrota, antecipar o futuro um sintoma pequeno-burguês. Não é propriamente a riqueza que me incomoda, nem sequer o privilégio em si. O que me incomodou foi o desp...

Kubrick explicou 2001?

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Há qualquer coisa de extraordinário nesta entrevista de Stanley Kubrick de 1980. Durante anos, Kubrick recusou-se a explicar o significado de " 2001: A Space Odyssey " . Dizia que traduzir o filme verbalmente seria retirar ao espectador a possibilidade de o descobrir. O filme devia falar por si. Contudo, em 1980, numa entrevista telefónica ao japonês Jun'ichi Yao, aconteceu algo raro: perguntaram-lhe diretamente o que significava o final de 2001  e Kubrick respondeu. Jun'ichi Yao  – Well Japanese people love your films, especially [2001: A Space Odyssey]. But people are wondering what is the meaning of last scene., You know, the old man who [is] lying on the bed, in the house? Could you give us an answer? Kubrick:  I try to avoid doing this ever since the picture came out, because when you just say the ideas they sound foolish, whereas if they’re dramatized one feels it.” E depois acrescenta.  “But I’ll try.”  E explica. Bowman é levado por entidades superiores...

Second Victims (2025), Zinnini Elkington

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Acabei Second Victims de rastos. Não propriamente porque o filme faça algo de radicalmente novo na linguagem visual. Pelo contrário, trabalha dentro de uma gramática que se tornou quase dominante naquilo que chamo harsh realism : câmaras muito próximas dos rostos, profundidade curta, montagem rápida, corpos comprimidos pelo enquadramento, pouco espaço para respirar. É uma linguagem que procura eliminar a distância entre espectador e personagem, colocando-nos quase fisicamente dentro da pressão emocional. Pensei várias vezes em Adolescence (2025) , embora aí o efeito seja conseguido de forma quase inversa: sem montagem visível, através de plano-sequência, obrigando a que toda a tensão seja construída pela encenação, pela deslocação dos atores e da câmara dentro do espaço. Mas aquilo que verdadeiramente me destruiu em Second Victims foi Alexandra. O filme começa por fazer dela o nosso farol. Alexandra é extremamente competente e humana, atenta aos pacientes e aos colegas. Não é apenas ...