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A mostrar mensagens de setembro, 2026

Unabomber (2026) a ciência no banco dos réus

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Não me interessa muito entrar na mente de Ted Kaczynski. Unabomber (2026), com Russell Crowe e estreado a 25 de setembro na Netflix, interessou-me por uma particularidade estética com impacto no significado do que o filme quer dizer, nomeadamente pelo modo como sentou a ciência no banco dos réus e depois, no momento decisivo, assustados com o que o filme estava efetivamente a fazer, os guionistas resolveram tirar da cartola um coelho de 1998 para evitar o pior. O filme de Janus Metz parte de um facto histórico. Kaczynski entrou em Harvard aos 16 anos e, no ano seguinte, participou numa série de experiências conduzidas por Henry Murray, psicólogo muito reconhecido na altura, destinadas a estudar o comportamento humano sob pressão. Os participantes eram levados a expor convicções pessoais e depois submetidos a confrontos agressivos destinados a provocar stress intenso e medir as suas reações. Hoje é fácil olhar para estes procedimentos como eticamente inaceitáveis. Terríveis. Mas é tam...

Fugitive parce que reine (2018)

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Acabei a leitura de " Fugitive parce que reine"  (2018), de Violaine Huisman, um pouco em choque. A primeira parte tinha-me atravessado completamente. Havia ali uma violência íntima, uma capacidade rara de abrir a família por dentro e mostrar aquilo que normalmente fica escondido atrás das fotografias, dos nomes respeitáveis, das casas e da cultura. Catherine surgia como uma presença forte, excessiva, por vezes cruel, mas também doente e humana. E Violaine Huisman parecia suficientemente consciente daquilo que estava a fazer para não transformar mero sofrimento em grandeza. Na segunda parte comecei a afastar-me. Entramos num mundo parisiense de intelectuais, artistas, homens e mulheres para quem o dinheiro parece existir sobretudo para ser gasto, para quem poupar é uma forma de mediocridade, jantar em casa quase uma derrota, antecipar o futuro um sintoma pequeno-burguês. Não é propriamente a riqueza que me incomoda, nem sequer o privilégio em si. O que me incomodou foi o desp...

Kubrick explicou 2001?

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Há qualquer coisa de extraordinário nesta entrevista de Stanley Kubrick de 1980. Durante anos, Kubrick recusou-se a explicar o significado de " 2001: A Space Odyssey " . Dizia que traduzir o filme verbalmente seria retirar ao espectador a possibilidade de o descobrir. O filme devia falar por si. Contudo, em 1980, numa entrevista telefónica ao japonês Jun'ichi Yao, aconteceu algo raro: perguntaram-lhe diretamente o que significava o final de 2001  e Kubrick respondeu. Jun'ichi Yao  – Well Japanese people love your films, especially [2001: A Space Odyssey]. But people are wondering what is the meaning of last scene., You know, the old man who [is] lying on the bed, in the house? Could you give us an answer? Kubrick:  I try to avoid doing this ever since the picture came out, because when you just say the ideas they sound foolish, whereas if they’re dramatized one feels it.” E depois acrescenta.  “But I’ll try.”  E explica. Bowman é levado por entidades superiores...

Second Victims (2025), Zinnini Elkington

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Acabei Second Victims de rastos. Não propriamente porque o filme faça algo de radicalmente novo na linguagem visual. Pelo contrário, trabalha dentro de uma gramática que se tornou quase dominante naquilo que chamo harsh realism : câmaras muito próximas dos rostos, profundidade curta, montagem rápida, corpos comprimidos pelo enquadramento, pouco espaço para respirar. É uma linguagem que procura eliminar a distância entre espectador e personagem, colocando-nos quase fisicamente dentro da pressão emocional. Pensei várias vezes em Adolescence (2025) , embora aí o efeito seja conseguido de forma quase inversa: sem montagem visível, através de plano-sequência, obrigando a que toda a tensão seja construída pela encenação, pela deslocação dos atores e da câmara dentro do espaço. Mas aquilo que verdadeiramente me destruiu em Second Victims foi Alexandra. O filme começa por fazer dela o nosso farol. Alexandra é extremamente competente e humana, atenta aos pacientes e aos colegas. Não é apenas ...