Infamy (2023) de Anna Maliszewska e Kuba Czekaj

A série polaca da Netflix, "Infamy" (2023), de Anna Maliszewska e Kuba Czekaj, não me entusiasmou pela escrita, nem pelo que tinha para dizer, apesar de relevante. A narrativa acompanha uma adolescente de origem Roma, dividida entre tradições, preconceito e o seu desejo de emancipação. Há momentos poderosos na abordagem ao racismo e à identidade cultural, mas também uma dramaturgia juvenil que simplifica conflitos e personagens. Contudo, aquilo que verdadeiramente me manteve agarrado aos oito episódios foi a extraordinária construção visual.


O guarda-roupa (de Anna Englert) é deslumbrante. Não apenas pelas cores, padrões e texturas, mas pela forma como dialoga com os espaços. Tecidos, paredes, mobiliário, luzes e corpos parecem participar numa mesma composição gráfica (Jagna Dobesz, design de produção). Por vezes, as personagens confundem-se com os cenários; noutras, destacam-se deles através de contrastes cromáticos inesperados (Wojciech Zieliński, direção de fotografia).

Mas não é apenas a fotografia de moda que impressiona. É todo o trabalho de composição do mundo: os enquadramentos, as paisagens, a luz, a organização dos elementos dentro do plano. Há uma atenção à cor e à geometria que transforma continuamente o espaço filmado em imagem pictórica.

O resultado é uma experiência visual exuberante, que oscila entre o cinema, a fotografia de moda e o videoclipe, sem perder uma identidade própria.

Infamy recordou-me algo que facilmente esquecemos quando discutimos cinema e televisão: nem sempre precisamos de uma grande narrativa para viver uma grande experiência estética.

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